Ecossistemas saudáveis de ervas marinhas da África Ocidental podem ajudar a sustentar os meios de…

Diário de um participante da Sessão de Formação Nacional de Identificação, Cartografia e Monitorização de Espécies de Ervas Marinhas em Gâmbia
Seguimos o estudante de mestrado Omar Sanneh durante o workshop de reforço de capacidades, onde a equipa nacional da Gâmbia descobriu pradarias de ervas marinhas em torno das Ilhas Bijol.
Entre os dias 20 e 24 de janeiro de 2020, em Gâmbia, o projeto da ResilienSEA realizou a sua quarta sessão de formação nacional de identificação, cartografia e monitorização de espécies de ervas marinhas no Parque Natural de Sanyang, em Serrekunda. Inaugurada pelo Sr. Ousainou Touray, Diretor Adjunto do Departamento de Gestão de Parques e Reservas Naturais da Gâmbia (DPWM – Department of Parks and Wildlife Management) e coordenador da equipa nacional, a formação destinava-se a cientistas, técnicos e gestores, visando aumentar os seus conhecimentos sobre as diferentes espécies de ervas marinhas presentes na África Ocidental e identificar as melhores técnicas de cartografia e monitorização a aplicar aos seus respetivos locais-piloto.
Os participantes do workshop representavam as comunidades locais da aldeia costeira de Kartong, a Agência Nacional do Ambiente (NEA – National Environmental Agency), a Associação Nacional de Operadores de Pescas Artesanais (NAAFO – National Association of Artisanal Fisheries Operators), a Marinha da Gâmbia, o Parque Nacional de Niumi, a Associação de Estudo de Aves da África Ocidental (WABSA – West African Bird Study Association), a Universidade da Gâmbia, o Center for Democracy and Development (CDD), a Biodiversity Action Journalists (BAJ-Gambia) e a Wetlands International Africa.
A formação foi ministrada pela Dra. Maria Potouroglou, Diretora de Estratégia de Investigação Científica da ResilienSEA, e pelo Sr. Mohamed Ahmed Sidi Cheikh, especialista em SIG e ervas marinhas da Mauritânia. Foi organizada em torno dos seguintes módulos:

Dia 1: Panorâmica da biologia e ecologia das ervas marinhas.
O primeiro módulo abordou aspetos tão vastos como o que são as ervas marinhas, por que motivo as ervas marinhas são importantes, a ecologia, morfologia e taxonomia das ervas marinhas, por que motivo os ecossistemas ligados às ervas marinhas estão a diminuir globalmente, as diferenças entre ervas marinhas e algas, os critérios de localização das ervas marinhas e as interações entre ervas marinhas, recifes de coral e mangues. Algumas das perguntas e observações dos participantes incidiram sobre potenciais mecanismos de adaptação das ervas marinhas para resistir à poluição, a viabilidade da regeneração das ervas marinhas, a taxa global de perda de ervas marinhas e as potenciais medidas a tomar para reduzir as ameaças às ervas marinhas.
Dia 2: A importância das ervas marinhas.
O segundo módulo sublinhou a importância dos ecossistemas ligados às ervas marinhas, nomeadamente através de uma apresentação do seu fluxo de serviços ligados ao ecossistema, incluindo o fornecimento de um habitat para a biodiversidade, zonas de desova e reprodução de importantes espécies de peixes comerciais, controlo da erosão costeira, fixação do carbono e benefícios culturais. Após a palestra teórica, os participantes partiram para a primeira exploração no terreno, em Kartong. Ali, os participantes encontraram algumas folhas de ervas marinhas da espécie Cymodocea nodosa na costa.

Dia 3: Ameaças aos ecossistemas ligados às ervas marinhas.
No terceiro dia, após debaterem as várias ameaças aos ecossistemas ligados às ervas marinhas na parte da manhã, os participantes partiram da Gâmbia continental para visitar as Ilhas Bijol para a sua segunda visita de estudo. Enquanto exploravam as águas que rodeiam as ilhas, os participantes descobriram vastas pradarias de Halodule wrightii. Esta foi uma grande descoberta, seguindo-se à da Serra Leoa no mês anterior. Convenientemente, as águas pouco profundas onde se encontram as pradarias de ervas marinhas das Ilhas Bijol deverão facilitar as futuras atividades de monitorização, através da utilização de quadrículas.

Dia 4: Cartografia e monitorização de ervas marinhas.
O dia começou com um debate teórico sobre a cartografia e a monitorização de ervas marinhas. Mais tarde, os participantes foram divididos em dois grupos, cada um com o seu plano de monitorização dedicado, antes de regressarem às Ilhas Bijol para aplicarem os planos de monitorização trabalhando com transectos. No entretanto, outra equipa explorou profundamente a parte sul das ilhas e teve a felicidade de descobrir outra espécie de ervas marinhas no mesmo local, a Cymodocea nodosa. As recentes descobertas de ervas marinhas em diferentes locais-piloto nacionais da ResilienSEA é um sinal de grande esperança para a descoberta e cartografia de outras pradarias de ervas marinhas na sub-região da África Ocidental.
Dia 5: Recolha e análise de dados.
O dia começou com um resumo geral dos debates e atividades dos dias anteriores, seguido por uma breve introdução à recolha e análise de dados, o quarto e último módulo do workshop, e por um exercício de grupo que visava avaliar a compreensão da formação por parte de cada participante.
Este último dia constituiu também uma ocasião para os participantes fazerem observações individuais sobre o workshop, bem como sobre as próximas atividades da equipa nacional da Gâmbia.
Após o discurso de encerramento do workshop pelo Sr. Ousainou Touray, o Sr. Sidi Cheikh considerou esta formação como uma das mais bem-sucedidas da série até ao momento, sobretudo devido à importante descoberta de várias pradarias de ervas marinhas, como a Halodule wrightii e a Cymodocea nodosa, em torno das Ilhas Bijol. “O aspeto mais importante reside na localização estratégica das Ilhas Bijol. As cercanias das ilhas são abundantes em pradarias marinhas repletas de ervas marinhas, além da importante diversidade biológica que foi observada neste local, incluindo aves aquáticas, moluscos e tartarugas marinhas”, destacou o Sr. Sidi Cheikh.
Nas próximas semanas, a equipa nacional da Gâmbia irá regressar às Ilhas Bijol e monitorizar a situação das pradarias ali encontradas.
Louis PILLE-SCHNEIDER e Omar SANNEH



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